#PETRUS – CAPÍTULO 46
14/07/2018
- Cara, você joga como uma moça - Marcello grita do outro lado da quadra, rebatendo a bola com força. Ela passa zunindo por meu ouvido e eu a perco mais uma vez. Eu não estava concentrado o bastante no jogo.- Não foi isso que você disse na semana passada quando eu te deixei comendo poeira da quadra, cunhadinho - eu devolvo a provocação, enxugando a testa com a toalha e indo em direção ao quiosque, buscar minha água.Marcello dá um pique e me alcança, batendo em meu ombro e rindo.- Ainda bem que minha irmã enfim achou um cara que valha a pena, viu. Ela já havia ultrapassado a cota de fracassados com o último noivo.Enrugo a testa - Achei que suas famílias fossem amigas.- E são, mas eu nunca engoli muito ele, ainda mais depois do que ele fez com a Ane - ele se senta ao meu lado, apertando a garrafa de água na boca e jogando um pouco no cabelo, a fim de se refrescar. - Ela gostava muito dele,muito mesmo. Acho que nem perto do que ela gosta de você, mas ainda sim era bastante coisa. E ele a trocou como se troca de meia, foi tão humilhante para ela.Meu estomago se contorce só de pensar que ela sofreu. Como alguém pode tê-la nas mãos e perde-la?- Ele é um babaca - eu rio - Sorte a minha né? Eu deveria mandar um presente para ele, agradecendo por sair do caminho e me deixar conhecer sua irmã.Marcello balança a cabeça, concordando.- Com certeza. Você ama muito ela, não ama?- Mais do que eu achei que seria capaz de amar alguém na vida, Marcello.Ele sorri.- Fico feliz de saber, Petrus. Acho que o amor de vocês está fazendo bem para ela - ele se vira pra mim, analisando meu rosto - Papai disse que ela veio aqui mais cedo só pra dizer que o ama e passar algumas horas com ele.O coração de gelo dela está derretendo.Essa era a minha garota. Ela tirou algo bom de tudo que eu contei para ela;ela viu que era o momento de dar valor à família maravilhosa que tinha, e isso era recompensador demais para mim.- Ela ama demais vocês, Marcello. Talvez ela fale pouco e demonstre menos ainda, mas ela ama vocês. Eu sei disso.- Eu sei. Ela é teimosa, desconfiada... e não se aproxima muito de ninguém, mas ainda sim é o mais próximo que alguém chegou de ser igual minha mãe, Petrus... e olha que nem tem o sangue dela. E minha mãe era o ser mais doce e incrível da face da terra.- Se ela realmente era tudo isso, se parecia com Ane mesmo - digo disperso.- Sabe, eu passei todos esses anos procurando, mesmo sem saber, alguém que me entendesse só com um olhar... alguém que me aceitasse por inteiro, não só as minhas partes boas... e eu encontrei, cara. Sua irmã é tudo isso para mim.- Você é uma bicha apaixonada - ele ri e balança o cabelo, tentando secar a água que jogou. Depois se volta para mim, sério - Petrus, não magoe a minha irmã, por favor.- Eu não vou, acredite. Geralmente, eu não faço as coisas direito... quer dizer, eu nunca faço as coisas direito. Mas quando se trata dela, eu normalmente sou a melhor pessoa que eu posso ser.- Lembre-se sempre de que eu sou muito maior que você, cara. Um deslize Petrus... um único deslize e eu esqueço toda a consideração que adquiri por você nesse tempo.- Acho que eu já te prometi isso em quase todas as conversas que tivemos. Só relaxa, cara. Eu pretendo viver o resto da vida com ela se ela me aguentar - me levanto e junto minhas coisas, colocando em uma mochila - Eu vou para a casa agora. Sua irmã odeia que eu fique muito tempo fora.[...]Jogo minha mochila no sofá e busco Ane com os olhos pela sala.Nada.- Amor? - entro na cozinha, mas ela não está lá também. - Amor? Cadê você? - sigo pelo corredor, desprendendo o relógio do pulso e o colocando no aparador mais próximo. Retiro minha camiseta branca suja de terra da quadra e a jogo junto com o boné em cima de uma poltrona.- Amor, cheguei - abro a porta do quarto e quase não acredito no que vejo.PUTA MERDA. ESSA MULHER AINDA ME MATA.- Seja bem vindo.Ela vestia um robe de seda creme, com os cabelos presos em um bagunçado coque. Os pés descalços e um enorme sorriso no rosto a faziam mais sexy do que se pode imaginar.- O que é isso, Ane? - pergunto embasbacado percorrendo todo o quarto com os olhos.Havia diversas velas espalhadas pelo cômodo, o que fazia com que o quarto ficasse com uma luz misteriosa e aconchegante. Ao lado de nossa cama, no criado mudo, uma bandeja com champanhe, morangos e uvas. Na cama,várias pétalas de rosas espalhadas no lençol de cetim branco.- Isso é a melhor noite da sua vida - ela me encontra, enlaçando os braços em volta do meu pescoço e me beijando suavemente.- Achei que a melhor noite da minha vida havia sido ontem- eu brinco enquanto ela me puxa pela mão.- Sabe...você sempre fez tanto para agradar as mulheres, mas eu acho que nunca nenhuma mulher fez algo só para te agradar, não é?Eu nunca havia pensado sobre isso, mas realmente... eu sempre era pago para satisfazer, nunca se preocuparam muito com a minha satisfação.- É...eu acho que não - seguro ela pela cintura e a paro - Mas você não tem que fazer nada... só de existir você já me agrada.- E que tal eu existir dentro daquela banheira com você? - ela solta gentilmente o robe de seda que escorrega por seus ombros até parar em seus pés.Olho para ela, de cima a baixo, completamente encantado. Ela conseguia ficar mais linda aos meus olhos a cada segundo que eu passava em sua presença. Agradeci silenciosamente por nunca ter encontrado outra pessoa;por nunca ter me apaixonado ou amado alguém. Agradeci por que dessa forma, o destino reservou a melhor pessoa para mim... eu não aceitaria amar outra pessoa além dela.- Não me olha assim, Petrus - ela se encolhe, rindo -Era para você me agarrar e me levar pra lá, não pra ficar me analisando assim...Me sinto tão inferior á você, sei lá... não sei o que você viu em mim. - seu nariz se torce, em uma ruguinha de dúvida. Ela realmente achava aquilo.Que absurdo.- Você é incrível - eu passo as mãos por seus cabelos, depois desço os dedos contornando seu rosto delicado. Termino o carinho acariciando sua boca suavemente - Você é maravilhosa, perfeita...exatamente do jeito que você é.Eu não poderia querer mais nada na vida.Ela sorri entortando o rostinho e ficando corada. Estava emocionada.- Olha... - ela tenta fazer piada para disfarçar - Você é muito espertinho.Depois dessa, você pode fazer o que quiser comigo lá dentro - ela aponta o banheiro com a cabeça.Eu a puxo pela cintura, colando seu corpo completamente nu ao meu.- Ah mais eu vou mesmo... Não tenha dúvidas disso.

