#PETRUS – CAPÍTULO 40
11/07/2018
Ela chegou bem mais tarde do que o normal em casa. Meus pensamentos já estavam longe, imaginando ela com alguém, mais precisamente com um Nick qualquer. Tentei por várias vezes afastar esse pensamento de mim, mas não consegui. Eu precisava dela dentro de casa, ao meu lado, para saber que estava tudo bem.Quando ela entrou por aquela porta, eu quase voei em direção a ela. Sei que devo tê-la assustado, mas eu precisava saber onde ela estava. Com quem ela estava.- Anelise, você quer me matar do coração, cacete? Não me avisou nada, não me ligou, não respondeu nenhuma mensagem. Eu já estava indo atrás de você, inferno!-Petrus, calma! - ela me olha com uma expressão divertida - Eu deixei o celular dentro da bolsa, no vibra call. - Ela abre a bolsa e verifica o celular - Ah realmente, aqui suas ligações.. - joga o celular de volta, sem nenhuma demonstração de preocupação - Desculpa mesmo, eu não tive a intenção.- Aonde você estava? - eu me coloco em sua frente, parado, a espera de uma resposta.- Você sabe que isso não é da sua conta, não sabe? - ela tenta passar mas eu a impeço. Seguro seu braço, talvez com mais força do que eu devia, mas eu me sentia cego naquele momento.- Aonde. Você. Estava? - eu separo as palavras entre os dentes, com raiva.Ela me olha atemorizada e por um segundo eu quase não me reconheço.- Eu fui jantar com o Nick, Petrus. Calma - ela faz força e se solta, com um puxão - Eu já pedi desculpa por não te avisar. Não vai se repetir, mas você não pode fazer isso!- E porque você foi jantar com ele?- Porque nós precisávamos rever alguns relatórios e ...- Vocês fazem os relatórios da empresa toda? Das empresas vizinhas? Da cidade inteira? Por que eu nunca vi na minha vida tanto relatório por fazer.- Você é louco - ela tenta passar por mim de novo e eu não deixo, mais uma vez.- Vocês só jantaram? - quando eu vi, já havia perguntado.- Oi?! Não estou entendendo sua pergunta - ela me responde indignada.- Vocês só jantaram ou ele te beijou? Ele tentou qualquer coisa com você?Me fala! Meu Deus, você tá dormindo com ele, não tá?Eu não me reconhecia e acho que ela também não. Eu estava louco de ciúme.- E por que isso é da sua conta mesmo? Por que você me desculpe, mas atéonde eu sei nosso casamento não é real.Aquilo foi um soco no meu estômago. Ela adorava me lembrar que aquilo não passava de um trabalho, de um contrato, de uma prestação de serviços.Eu ainda era a mercadoria.E eu odiava ela por isso.Eu me odiava por isso.- Você nunca vai entender ... - eu desisto daquilo e saio de perto dela, indo em direção ao quarto.- Não, não...volta aqui Petrus. Quem começou com isso foi você! Não foge de mim! - ela vai atrás de mim, batendo seus saltos pelo assoalho de madeira da casa.Ela normalmente era linda, mas quando ela estava brava, ela era fodidamente maravilhosa.- Por que você precisa tanto saber se ele me beijou? Porque a possibilidade de eu estar dormindo com ele te incomoda? - ela me encara e por um segundo eu penso em me calar, mas ela insiste - Por quê? Fala logo, caramba!Ela estava praticamente implorando uma confissão.Ela sabia.Ela sabia o que eu ia dizer, e ela queria ouvir.Seu tom de voz suavizou e ela olhou para mim, esperançosa - Fala.- Por que eu te amo, PORRA! É tão difícil assim entender que eu te amo, e que eu sou um psicopata quando o assunto é você? É tão obvio!Ela olhou para os meus olhos por alguns segundos. Desceu em direção a minha boca e depois voltou aos meus olhos.Não podia mais suportar aquilo.Empurro ela contra a parede do quarto e a beijo profundamente. Toco meus lábios em sua boca carnuda e ela retribui com tudo de si, enquanto eu continuo falando no ouvido dela - Você é a melhor coisa que já aconteceu comigo - sinto sua boca sorrir na minha quando digo isso - você me dá a paz que o resto do mundo tira e eu só quero você. Era isso que você queria ouvir não é?Ela sufocou um gemido e se soltou de mim. Estudou com calma minha boca, meus olhos... não sabia com certeza se ela estava me admirando ou colocando na balança os prós e contras de me deixar fazer aquilo.Quase morri em expectativa.- Não pense que será tão fácil assim, Petrus. - ela se encosta de novo em mim e murmura contra a minha boca.- E desde quando qualquer coisa que eu queira é fácil pra mim, Anelise? - eu enlaço ela enquanto beijo seu pescoço e sinto ela se entregar - Mas você é a primeira coisa que eu vou lutar até o fim para ter.- Se você me ama, por que correu transar com outra quando teve a oportunidade?Sinto um balde de água fria na minha cabeça. Mas ela tinha o direito de saber disso. Pelo menos mostrava que ela se importava.-Por que eu queria provar para mim mesmo que eu não te amava, mas isso só serviu para me mostrar o quanto o que eu sinto é verdadeiro. Eu pensei em você a cada segundo daquela noite, desejando que ela fosse você... que ela tivesse seu cheiro, seu toque... desejando que ela se aninhasse em mim como você faz. Mas não Ane, ela não é capaz de tomar seu lugar. Ninguém é. Você ferrou com a minha cabeça - eu passo meus dedos sob seu lábio e sinto sua respiração descompassada no meu peito colado ao seu. Continuo falando e olhando dentro de seus olhos, por que eu queria que ela entendesse de uma vez por todas - Porque perto de você eu fico louco e longe de você eu fico louco. Você é a bagunça mais linda da minha vida.Ela suspirou e toda vez que ela fazia isso em meus braços, um pedaço de mim morria, ia para o céu e voltava para continuar desfrutando daquele momento.- Sua pele - eu continuo dizendo enquanto tomo ar - a sua pele é tão macia.Eu tenho vontade de te morder.- Então faça - ela joga o pescoço pra trás, esperando, praticamente implorando por minha boca. A voz, rouca e faminta me deu a certeza de que eu podia continuar. Mordi seu ombro gentilmente, testando seus limites. Seeu fosse um pouquinho mais longe, não chegaríamos na cama.O cheiro do seu shampoo de pêssego praticamente me embriagava. Nunca na vida eu havia ficado nervoso quando percebia que estava a caminho do sexo;nem na minha primeira vez, nem na minha primeira cliente... mas com ela, tudo era incrivelmente diferente. Eu estava ansioso e ao mesmo tempo apavorado, como se eu não soubesse o que fazer. Queria muito aproveitar cada segundo e cada pedacinho dela mas também queria arrancar nossas roupas do caminho e acabar logo com aquilo. Eu queria muito ser gentil com ela, mas a minha profissão me ensinou a ser também exigente. Tentei equilibrar esses meus dois lados que brigavam entre si para dar o meu melhor á ela.Minha última cliente.Meu primeiro amor.Eu não ia mais dar tempo para ela pensar. Eu não podia mais esperar e eu precisava provar a ela o quanto eu a amava, mesmo que fosse do único jeito que eu sabia.
